O peso de não conferir

Devia ter prestado mais atenção, revisado várias vezes.
Mas quem encara um documento repleto de alterações, páginas, números e detalhes como se fosse um romance favorito?
Não era para ser assim, mas a falha o colocou em uma posição na qual não precisava estar — tudo porque confiou demais no que achava que já sabia.
Agora, lamentava-se: por que não revisou com calma?
Por que não percebeu as pequenas mudanças, aquelas palavras trocadas aqui e ali, escondidas como armadilhas no meio do texto?
Não havia espaço para reconsideração.
Só restava aceitar o erro e seguir em frente, tentando encontrar uma justificativa — ou quem sabe uma interferência divina — para a própria falha.
Talvez fosse, afinal, um livramento disfarçado, uma oportunidade inesperada de fazer diferente — ou, no mínimo, uma lição para nunca mais confiar em papelada sem conferir duas, três vezes.
E, o mais importante: verificar se a enésima alteração no documento de fato era a última.
Pensou nisso e suspirou, ciente de que, dali em diante, nenhuma revisão seria tratada com descuido outra vez.
Adriana Teixeira Alves
Quase Tudo Vira Crônica



Comentários