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Antes da explosão

Foto do escritor: Adriana Teixeira Alves
Adriana Teixeira Alves
30 de ago.
1 min de leitura

Li uma notícia de manhã e precisei voltar ao título.

Um candidato à Presidência defendia que o Brasil tivesse uma bomba atômica.

Uma bomba mesmo. Atômica. Sem metáfora, sem “o preço foi uma bomba”.

O argumento era soberania, dissuasão, respeito internacional. Em resumo, para sermos respeitados, talvez precisemos ser perigosos, na opinião dele.

Foi aí que me ocorreu uma pergunta: **em que momento confundimos respeito com medo?**

Meu incômodo talvez nem seja apenas com a bomba, mas com essa velha tentação de imaginar que problemas muito complicados podem ser resolvidos de uma vez por todas.

Há um problema difícil? Aumente a força. Torne a resposta maior. Faça alguma coisa tão definitiva que ninguém precise continuar discutindo o assunto.

É tentador.

A realidade, porém, raramente se comporta assim. As circunstâncias mudam, nós mudamos, e aquilo que parecia incontornável pode deixar de ser.

Talvez por isso os limites sejam tão pouco sedutores. Eles não prometem resolver tudo. Não rendem grandes manchetes. Apenas lembram que nem tudo aquilo que podemos fazer devemos fazer.

A bomba ficou na manchete, mas algumas explosões começam muito antes do primeiro artefato.

Começam quando uma ideia excessiva deixa de nos assustar e passa a parecer razoável apenas porque o problema é grande.

Por isso desconfio tanto das soluções definitivas.

Principalmente das que prometem paz fazendo barulho de guerra.



Adriana Teixeira Alves

Quase Tudo Vira Crônica

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