Execução no Café

Num canto escuro de um Café, dois rapazes falavam baixo. O tilintar das colheres e o murmúrio das conversas ao redor faziam da cena algo banal — não fosse o assunto da conversa.
— Cara vacilão... Vamos executar — disse o de boné, impaciente.
O outro, mais calmo, respondeu:
— Ainda temos tempo. Acho que dá pra chegar a um acordo.
A garçonete, que fingia limpar a mesa ao lado, prendeu a respiração. “Executar” soou pesado demais para uma tarde que cheirava a café e convidava à distração.
Quem seria a vítima?
Aos poucos, o mistério foi se desfazendo: falavam de um contrato, de uma dívida, de um cliente teimoso.
Enquanto o debate jurídico fervia entre goles de expresso, a garçonete sorriu, enfim, aliviada.
Naquele café, tempo e consenso voltaram a ter sabor de paz — lembrando que, no Direito e na vida, o melhor acordo é sempre o que evita a execução.
Adriana Teixeira Alves
Quase Tudo Vira Crônica



Comentários