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Dissecando o invisível

Foto do escritor: Adriana Teixeira Alves
Adriana Teixeira Alves
16 de ago.
1 min de leitura

Durante o café, peguei-me em plena autópsia intelectual — não de livros ou ideias, mas de mim mesma.


Abri pensamentos com a delicadeza de um legista cansado, tentando entender em que momento deixei de respirar leveza.


Descobri feridas antigas escondidas sob camadas de racionalidade, disfarçadas de escolha ou maturidade. Não sangravam, mas ardiam.


E percebi: o que é a dor física diante da dor moral?


Um tropeço, um corte, uma gripe... tudo passa. Mas a vergonha, a saudade e a culpa permanecem sentadas no sofá da memória, sempre pedindo mais um café.


A dor física costuma ter hora para ir embora. A moral, não. Ela chega sem bater, instala-se, muda os móveis de lugar. Às vezes, toma até o controle remoto da vida.


Enquanto os outros veem um corpo são, é o íntimo que se contorce em silêncio.


E assim seguimos, tentando decifrar o que nos corrói por dentro, como um legista que procura a causa da morte onde não há ferida aparente.


Adriana Teixeira Alves

Quase Tudo Vira Crônica

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