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Convite à retirada

Foto do escritor: Adriana Teixeira Alves
Adriana Teixeira Alves
16 de ago.
1 min de leitura

Era um lugar onde tudo funcionava.

Não havia violência, fome, filas intermináveis à espera de atendimento médico, nem fake news ou discursos de ódio circulando pelas redes.


Nas escolas, não havia evasão.

Os alunos eram dedicados, contavam com suporte familiar e tratavam os professores com gentileza. Os professores, valorizados como mereciam, tinham tempo e entusiasmo para preparar aulas envolventes.


Os hospitais não enfrentavam superlotação. As leis eram justas e cumpridas por todos. Os alimentos eram acessíveis a todas as classes sociais. E, por incrível que pareça, o atendimento ao cliente era gentil.


Os animais passeavam livres. As árvores cresciam em paz. Os rios corriam limpos. O clima estava equilibrado, com chuvas fora dos horários de pico — só para não incomodar.


Encantada com o lugar e já um pouco cansada de explorar, procurei alguém para conversar. Mas não havia ninguém. Nenhuma alma viva. Humana, digo.


Foi então que entendi:

O mundo estava perfeito porque nós, os humanos, havíamos sido gentilmente convidados a nos retirar.


Acordei suando frio.

O celular estava ao lado. Passei o dedo rapidamente pela tela e tudo parecia normal.

Ufa. O caos ainda está aqui. E, com ele, a nossa humanidade.


Adriana Teixeira Alves

Quase Tudo Vira Crônica

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