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Contrabandistas de afeto

Foto do escritor: Adriana Teixeira Alves
Adriana Teixeira Alves
16 de ago.
1 min de leitura

As normas exigiam distância e restrição alimentar, mas o coração não sabia seguir instruções. Nessas horas, o afeto buscava brechas.


Quem nunca visitou um parente ou amigo com o peito apertado e, ignorando as regras do hospital, entregou uma mercadoria proibida? O doce favorito do paciente, um pedaço de bolo ou pão caseiro ainda quente, enrolado em um guardanapo amassado, ou uma flor escondida entre as páginas de um livro.


Não era desafio, era cuidado.


Um modo de estar presente quando a ausência pesava mais do que o risco. O medo de ser flagrado gelava, mas o desejo de consolar era maior que qualquer protocolo. Às vezes, até um abraço rápido escapava, impulsivo, apertado, antes que alguém percebesse.


No fim, quase todos cediam. Escolhiam consolar, mesmo que às escondidas. E, entre proibições e olhares vigilantes, sobreviviam pequenos gestos de ternura: silenciosos, impossíveis de esquecer.


Afinal, somos todos contrabandistas, nem que seja só de afeto.


Adriana Teixeira Alves

Quase Tudo Vira Crônica

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