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Compraram seguidores para mim?

Foto do escritor: Adriana Teixeira Alves
Adriana Teixeira Alves
30 de ago.
2 min de leitura

Outro dia vi alguém explicando que comprar seguidores pode ser um problema a longo prazo. A lógica era simples: você compra uma multidão, a multidão não faz nada e, no fim, fica aquele número enorme acompanhado de um silêncio constrangedor.

Pensei no assunto. Principalmente porque nunca comprei seguidor.

Quando comecei a postar com mais frequência, eu tinha lá uns duzentos. Depois de uns 70 reels, cheguei aos gloriosos 260. Sessenta seguidores novos. Não é exatamente um fenômeno digital, mas é trabalho honesto.

O detalhe é que, desses 260, uns 40 são os que aparecem, curtem, comentam, mandam alguma mensagem. Gente que dá sinais de vida.

E os outros? Onde estão? Quem são? O que fazem enquanto eu posto?

Foi aí que me veio uma dúvida séria: será que alguém comprou seguidores para mim e esqueceu de avisar?

Porque, veja, se o grande critério para identificar um seguidor comprado é a ausência total de interação, o algoritmo já tem material suficiente para uma auditoria. Trinta dias sem uma curtida? Sinal amarelo. Sessenta? Investigação. Noventa? Expulsão sumária.

Imagino a faxina. De uma hora para outra, perfis gigantes encolhendo misteriosamente. Influenciadores perdendo populações inteiras durante a madrugada.

E eu? Provavelmente cairia de 260 para 40. Mas seriam 40 seguidores auditáveis, com procedência, com nota fiscal.

Foi quando percebi um problema na minha própria teoria.

Eu sigo pessoas com quem não interajo há meses. Há perfis que acompanho em silêncio. Outros que o algoritmo simplesmente deixou de me mostrar. Pelos meus próprios critérios, portanto, eu também poderia ser presa numa batida do Instagram.

A senhora segue esta conta? Sigo. Última interação? Não me recordo. Curtida? Também não. Comentário? Excelência, prefiro permanecer em silêncio.

E foi aí que a investigação começou a ficar inconveniente.

Porque a internet conseguiu uma façanha curiosa: fez caber presença dentro de um número. Seguimos quem quase nunca vemos, somos seguidos por quem talvez nunca nos veja. Ainda assim, a contagem permanece ali, solene, como se soubesse alguma coisa sobre nós.

Duzentos e sessenta. Duzentos mil. Duzentos milhões.

Talvez o problema não seja descobrir quem comprou seguidores.

É descobrir quando foi que começamos a confundir presença com contagem.

Por enquanto, sigo com meus 260. Quarenta vivos, 220 em investigação.

E todos, até prova em contrário, adquiridos honestamente.



Adriana Teixeira Alves

Quase Tudo Vira Crônica

 
 
 

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